História da Queima

A realização das festividades académicas que ocorrem, por norma, no final do ano letivo, perde-se no tempo. A “crise de 69” e a “contestação coimbrã” vieram interromper as festividades que se reiniciaram no início dos anos 80. A queima das fitas significava para alguns, os finalistas, a sua última jornada universitária e o derradeiro trajeto da vivência coimbrã; para outros era uma nova definição de grau, conforme reza a praxe, mas para todos era sem dúvida a alvorada ou o desafio do futuro desconhecido, de estudo e de boémia, como acontece ainda nos dias de hoje.

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A queima ganhou uma nova dimensão, ganhou grandeza, a partir dos anos 20 (sec.XX), refletindo-se isso mesmo na nova dinâmica que ultrapassava a “Alta”, o espaço territorial da Academia por excelência, e alastrando a toda a cidade. A queima sempre foi e continua a ser um enorme espaço de intensa explosão de alegria, traduzindo-se e refletindo-se no prestígio alcançado e cimentado ao longo dos anos. O clima de euforia contagiante instala-se por toda a parte, particularmente na Alta, estimulado pela enorme profusão de pastas académicas e respetivas fitas com as cores das faculdades, erguidas e ostentadas como verdadeiros troféus, e entusiasticamente agitadas.

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Os festejos da queima das fitas têm a sua representação na Serenata Monumental, realizada na mítica escadaria da Sé Velha de Coimbra, onde as guitarras se escutam num silêncio sepulcral; na Venda da Pasta, cuja receita reverte para a Casa da Infância Professor Doutor Elísio de Moura; no Sarau Académico, onde a cultura e o divertimento preenchem gloriosas noites, fosse no “Avenida” ou no “Gil Vicente”; na Garraiada, que segundo reza a história teria sido introduzida por estudantes ribatejanos, realizando-se atualmente na Figueira da Foz; no ato da queima do grelo, (as fitas estreitas); e finalmente, no desfile dos quintanistas, o cortejo que percorre as ruas da cidade integrando os carros alegóricos “passeando” os versos e as prosas, satirizando tantas vezes os Professores, o poder político e a sociedade em geral.
A cidade acompanha a delirante explosão de alegria da academia, pois as festividades da queima marcam uma gloriosa etapa na vida do estudante e de toda a cidade de Coimbra.

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